http://www.mma.gov.br/biomas/mata-atlantica/mapa-de-cobertura-vegetal
http://estadaodados.com/html/biomas2012/
http://www.estadao.com.br/especiais/os-biomas-brasileiros,21489.htm
http://www.estadao.com.br/pages/especiais/biomas/
http://estadaodados.com/biomas2012/
http://www.florestal.gov.br/snif/recursos-florestais/os-biomas-e-suas-florestas
http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/unidades-de-conservacao/biomas-brasileiros.html
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Congo: A maior guerra do mundo
LWIBO, Rep. Democrática do Congo - Esse conflito pode ser considerado apenas por motivos étnicos? Quais interesses estão por trás dessa guerra?
A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi criada pela Organização da Nações Unidas em 1948 para estabelecer a proteção universal dos direitos humanos, mas, o que vemos em 2013 é que os direitos básicos dos seres humanos nessa região simplesmente não existe e o mundo cala-se diante dessa barbárie.
Acessem os seguintes links e conheçam mais sobre esse assunto
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,congo-a-maior-guerra-do-mundo-,1087710,0.htm
http://blogs.estadao.com.br/radar-global/congo/
http://tv.estadao.com.br/videos,CONGO-OS-FILHOS-DO-ESTUPRO,215874,0,0.htm
http://www.estadao.com.br/ Acesso em 31/10/2013
A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi criada pela Organização da Nações Unidas em 1948 para estabelecer a proteção universal dos direitos humanos, mas, o que vemos em 2013 é que os direitos básicos dos seres humanos nessa região simplesmente não existe e o mundo cala-se diante dessa barbárie.
Acessem os seguintes links e conheçam mais sobre esse assunto
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,congo-a-maior-guerra-do-mundo-,1087710,0.htm
http://blogs.estadao.com.br/radar-global/congo/
http://tv.estadao.com.br/videos,CONGO-OS-FILHOS-DO-ESTUPRO,215874,0,0.htm
http://www.estadao.com.br/ Acesso em 31/10/2013
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Infográfico da revista pré-Univesp: Declaração Universal dos Direitos Humanos
Muito interessante e didático esse infográfico. Acessem o link:
http://www.univesp.ensinosuperior.sp.gov.br/preunivesp/5549/declara-o-universal-dos-direitos-humanos.html
Acesso em 15/10/2013
http://www.univesp.ensinosuperior.sp.gov.br/preunivesp/5549/declara-o-universal-dos-direitos-humanos.html
Acesso em 15/10/2013
sábado, 21 de setembro de 2013
material sobre solo
Material bem didático para o estudo do solo ideal para o 6° ano do ensino fundamental
http://www.cnps.embrapa.br/search/mirims/mirim01/mirim01.html
http://www.cnps.embrapa.br/search/mirims/mirim01/mirim01.html
Solo
https://www.youtube.com/watch?v=E-xUoRqi7eQ
Projeto solo na escola UFPR. Ótimo material para auxiliar o ensino sobre o solo no ensino fundamental e médio.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
África
O que resta das fronteiras africanas. Ótimo artigo do Le Monde Diplomatique. Disponível em: http://geografiadaafrica.wordpress.com/2013/01/14/otimo-artigo-sobre-a-intangibilidade-das-fronteiras/
sábado, 31 de agosto de 2013
domingo, 21 de julho de 2013
Matéria de capa - EUA Espionagem Digital
Esse vídeo mostra como as grandes corporações que servem ao governo americano trabalham para servir ao governo norte-americano. O desrespeito do governo americano com os cidadãos do mundo inteiro em nome de sua segurança é uma vergonha e fere a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
A Terra vista do espaço: italiano registra a 'bota da bota'
Imagens lindas e atuais da Terra vista do espaço.
http://noticias.terra.com.br/ciencia/a-terra-vista-do-espaco-italiano-registra-a-bota-da-bota,cd6aeb236494c310VgnVCM3000009acceb0aRCRD.html
http://noticias.terra.com.br/ciencia/a-terra-vista-do-espaco-italiano-registra-a-bota-da-bota,cd6aeb236494c310VgnVCM3000009acceb0aRCRD.html
domingo, 9 de junho de 2013
Conflito Israel X Palestina
Infográficos para entender as origens dos conflitos na região. Ver também um post anterior do Estadão com o título "fronteiras da guerra"
http://media.folha.uol.com.br/mundo/2009/01/15/conflito_gaza.swf
http://veja.abril.com.br/multimidia/infograficos/entenda-a-guerra-por-territorios-entre-israelenses-e-palestinos
http://media.folha.uol.com.br/mundo/2009/01/15/conflito_gaza.swf
http://veja.abril.com.br/multimidia/infograficos/entenda-a-guerra-por-territorios-entre-israelenses-e-palestinos
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Importante entrevista com o geógrafo David Harvey ao Le Monde Diplomatique
| ENTREVISTA |
| "É preciso revolucionar as cidades" |
E não tem problema se as revoluções forem pequenas. O geógrafo David Harvey, principal teórico do direito à cidade, mostra que estudar Marx ainda faz sentido e provoca as “vizinhanças” a se transformarem no centro dos movimentos políticos, que devem evitar o “fetiche da horizontalidade”
|
| por André Deak, Lucas Pretti |
Geógrafo de 77 anos, professor emérito da City University of New York (Cuny), ele esteve no Brasil para o debate de lançamento de seu novo livro, Para entender O capital(Boitempo, 2013), em que disseca a obra-prima de Marx e se propõe a criar um “guia de leitura” para quem pretende mergulhar pela primeira vez naquele oceano. Na verdade, ele é mais apaixonado do que isso. “Todas as pessoas precisam ler um livro chamado O capital.” DIPLOMATIQUE– O Brasil vem se preparando para realizar a Copa e a Olimpíada. E a preparação para esses eventos tem provocado remoções de pessoas e injustiças econômicas, entre vários outros absurdos. O que devemos fazer? DAVID HARVEY – As pessoas deveriam estar atentas desde o primeiro momento quando alguém diz: “Teremos Jogos Olímpicos aqui”. Em geral, interesses comerciais e financeiros do Estado o farão remover pessoas e trabalhar na “revitalização” de locais. Eu acho que, antes mesmo de um anúncio como esse ocorrer, as pessoas deveriam estar preparadas para dizer: “Não quero que isso aconteça no meu país”. Um exemplo interessante foi a tentativa de levar os Jogos Olímpicos a Nova York. A população não concordou. Quando toda a propaganda em torno do grande evento começou, os nova-iorquinos já estavam preparados para dizer: “Não queremos”. DIPLOMATIQUE– Não sei se isso é possível entre os brasileiros hoje. A maioria está empolgada. A propaganda oficial é muito grande, todos amam futebol e as pessoas sentem que querem a Copa, querem a Olimpíada. HARVEY – Sim, isso é difícil. A vantagem de Nova York é que há o encontro das Nações Unidas. Todos os anos, por uma semana em outubro, todo o lado leste da cidade é completamente fechado. Você não pode se movimentar, e todos ficam de saco cheio. Aí, quando alguém fala em Jogos Olímpicos, as pessoas já rechaçam. Quando a cidade-sede da Copa ou da Olimpíada já está escolhida, deve-se trabalhar muito para minimizar as consequências ruins. Mas é quase impossível, não dá para pensar em algo revolucionário. A maioria das cidades que já receberam Copa ou Olimpíada perdeu muito dinheiro. Se você analisar as condições financeiras da Grécia hoje, boa parte dos problemas remonta aos Jogos Olímpicos, quando gastaram uma quantia enorme de dinheiro para construir coisas completamente inúteis. Houve apenas um projeto muito útil, a construção de um novo sistema de metrô, cujos benefícios são permanentes. O que se vê normalmente é violência de Estado, sem qualquer compensação. Vocês devem lutar por benefícios definitivos, mas sabendo que é impossível parar os Jogos. DIPLOMATIQUE– O Brasil agora está sob holofotes em todo o mundo. E você já esteve na maioria dos países da América Latina. Há novos modelos de organização ocorrendo nesta parte do mundo? HARVEY – Uma coisa consistente que já existe por toda a América do Sul é um tipo de rejeição às políticas neoliberais em suas formas puras. Isso não quer dizer que todos sejam anticapitalistas, mas há um antagonismo contra as estruturas da globalização: Banco Mundial, FMI e as políticas austeras que estão dominando a Europa. Há também uma série de experimentações políticas ocorrendo, mas que tipo de políticas econômicas vai funcionar? Há diferenças entre o que Chávez fez na Venezuela, Morales na Bolívia, Correa no Equador, mas em geral a América Latina é hoje um lugar onde os movimentos sociais são ativos e muitas pessoas da esquerda sabem que esta é uma parte muito interessante do mundo hoje. Estou certo de que, já que não há como romper com o capitalismo, há um novo tipo de capitalismo que vem sendo construído. Em O capital, Marx mostra isso claramente. Quando qualquer pessoa chega e diz: “A solução para a pobreza é mais desenvolvimento capitalista”, você deve dizer imediatamente: “Não! O capitalismo criaessa pobreza”. Acontece o mesmo com o meio ambiente. Quando alguém diz que o capitalismo pode ser sustentável para o planeta, Marx faz um bom trabalho ao mostrar a tendência eterna de o capitalismo destruir a principal fonte de recursos: a terra. Marx admirava de diversas formas as consequências positivas do desenvolvimento capitalista, mas dizia que precisamos ter controle e criar uma alternativa ao “lado negro”. DIPLOMATIQUE− Vê-se cada vez mais no mundo, e em São Paulo também, a proliferação de hubsque pretendem ser lugares de liberdade e criatividade em vez do controle de horas. Isso é uma alternativa ao capitalismo tradicional? HARVEY – A mudança tecnológica está criando um sentimento de redundância. O que devemos fazer em um mundo em que os trabalhadores são redundantes? Temos taxas de desemprego em crescimento em todo o mundo, e o tipo de emprego que ainda existe não está satisfazendo o trabalhador criativo. Portanto, vemos pessoas por toda parte tentando ter um estilo de vida diferente, criando sistemas alternativos de produção, economias solidárias e outras coisas do tipo. Porque, afinal, é a vida deles que está em jogo. DIPLOMATIQUE– Cooperação em vez de competição... HARVEY – Sim. Há diversos grupos espalhados pelo mundo tentando fazer algo, de formas bem diferentes, mas usualmente em escalas pequenas. Essas pequenas iniciativas devem ser reprodutíveis para se transformar em um movimento de massa ou precisam permanecer pequenas? É uma das grandes questões sem resposta. DIPLOMATIQUE– Essa reorganização do espaço de trabalho pode ser considerada anticapitalista de alguma forma? HARVEY – Pode ser parte de uma tentativa anticapitalista. Mas veja o que acontece, por exemplo, nas fábricas recuperadas na Argentina. Elas existem como ilhas dentro de um oceano capitalista, mas no fim se transformam em um centro de autoexploração por causa das pressões comerciais, financeiras etc. Por um lado se diz que a passagem para o socialismo necessita de autogestão e trabalhadores associados no controle da produção, mas isso não sobrevive sem uma reconfiguração radical dos papéis do dinheiro, do sistema financeiro, dos mercados. Se esses elementos não mudarem, você ainda estará na prisão do capitalismo. Por outro lado, tomar a fábrica é um primeiro passo – e isso é bom. Então vem a questão: quais são o segundo, o terceiro, o quarto passos desse movimento? DIPLOMATIQUE– Para além dos trabalhadores criativos, existe uma massa imensa de trabalhadores tradicionais, e ainda há os sindicatos, que não conseguem dialogar com os trabalhadores e não têm a importância que já tiveram. Como os trabalhadores devem se organizar nestes novos tempos? HARVEY – Não acho que os sindicatos de trabalhadores estejam completamente mortos. Há partes do mundo em que eles ainda são significantes e muito fortes. A dificuldade dos sindicatos sempre foi conseguir benefícios para seus membros e, em sua maioria, nunca se viram como movimentos trabalhistas de vanguarda. Alguns partidos políticos fetichizaram o trabalhador da fábrica como a pessoa que iria liderar a revolução – e sempre achei que havia algo errado nessa formulação. É por isso que, no Rebel cities, eu digo que é preciso redefinir o proletariado de hoje para incluir todas as pessoas que produzem e reproduzem a vida urbana – e que, portanto, revolucionar a cidade é tão importante quanto revolucionar o local de trabalho. Quando você analisa a Comuna de Paris e os movimentos revolucionários de 1848, há evidências históricas de que eles tinham como propósito recapturar a vida urbana para a massa da população. Esses movimentos urbanos não foram levados a sério por muitos setores da esquerda, mas deveriam. Há 34 anos eu tento, sem muito sucesso, persuadir meus colegas marxistas a levar a urbanização a sério. As pessoas nas ruas, como vimos nas revoltas do Cairo, tomando conta de regiões simbólicas das cidades, são uma força política muito significante, mesmo quando as revoluções não são exatamente anticapitalistas. Precisamos encarar as cidades como centros de legitimação política e potenciais para revoluções e transformações. Daí a necessidade de redefinir teoricamente o que são movimentos de massa ou revolucionários. DIPLOMATIQUE– Unindo suas ideias, podemos dizer que esses trabalhadores devem então fazer coisas em pequena escala? HARVEY – Sim. Gramsci tem uma formulação interessante sobre isso, quando escreveu sobre a organização dos trabalhadores. Ele disse que, claro, é preciso se organizar em torno das fábricas (não exatamente em sindicatos, mas em conselhos fabris), mas é preciso também organizar as vizinhanças. Porque nos bairros estão as condições como um todo da vida da classe trabalhadora. Neles estão os garis, os taxistas, os garotos de recado e tantos outros que precisam ser integrados nos movimentos políticos – e essa ideia de organizar a vizinhança está passando a ser central nos processos políticos de hoje. Gramsci via muitas vantagens na união da organização das fábricas e das vizinhanças, principalmente porque, naquela época, isso significava dar poder às mulheres, já que nas fábricas a imensa maioria dos trabalhadores era formada por homens. Isso é muito interessante. Se você analisar a estrutura dos sindicatos tradicionais, a liderança é toda masculina. Ao contrário, boa parte das lideranças comunitárias é ocupada por mulheres. Essa discrepância de gêneros tem sido uma barreira muito grande para a organização anticapitalista. DIPLOMATIQUE– James Carville e Stan Greenberg, no livro It’s the middle class, stupid!, sustentam que, hoje, um tema só adquire potencial revolucionário quando ganha a paixão e a revolta da classe média. Qual é sua opinião sobre isso? HARVEY – Nos Estados Unidos há uma tendência em dizer que a grande maioria do país é de classe média – mas na verdade é classe trabalhadora. Acho que existe de fato uma classe média significativa – formada por advogados, juízes, diretores de corporações e outros profissionais desse tipo –, mas muito menor do que se imagina. Em pesquisas de autoidentificação, cerca de 60% a 70% dos norte-americanos se colocam como parte da classe média. No entanto, se você faz a pergunta de outra forma, com enunciados mais sofisticados, a mesma proporção se considera classe trabalhadora. Eles trabalham, têm determinadas condições no emprego, um chefe que decide coisas, gastam xhoras por dia trabalhando etc. DIPLOMATIQUE– O Le Monde Diplomatique Brasil, em janeiro, comparou os movimentos Tea Party e Ocupar Wall Street. O primeiro conseguiu eleger representantes no Congresso, enquanto o Ocupar não tinha esse propósito. Você acha que movimentos como esses deveriam tentar a via política tradicional? HARVEY – Em primeiro lugar, é muito importante ressaltar que o Tea Party recebeu financiamento alto de bancos, grandes corporações etc. Já o Ocupar não teve nenhum apoio parecido. É verdade que o objetivo do Ocupar não era lutar pelo poder político – nem mesmo influenciá-lo. Mas aí é que está: influenciou. Eles ocuparam um papel muito importante na reeleição de Obama porque mudaram a pauta. Antes dos movimentos Ocupar, ninguém nos Estados Unidos estava falando sobre igualdade social. Quando eles vieram com o argumento do 1% versus99%, trouxeram a discussão sobre desigualdade – e também a necessidade de um presidente que falasse sobre isso. DIPLOMATIQUE– Mas eles deveriam tentar espaço no Congresso? HARVEY – Acho que não, na verdade. DIPLOMATIQUE– Deveriam reivindicar algo específico? HARVEY – Eles fazem pedidos: queremos democracia real, igualdade social, diminuir ogap entre os 99% e o 1%... É interessante observar que o poder político não reagiu com violência da polícia ou do Exército contra o Tea Party, mas sim contra o Ocupar. Todos em Wall Street sabem que fazem coisas ilegais todos os dias e que deveriam estar na cadeia. Eles sabem disso! Por isso ficaram aterrorizados, principalmente se Obama se elegesse e houvesse um movimento popular como na Islândia, em que os banqueiros foram todos presos. Então veio o Furacão Sandy, e a maioria das pessoas no Ocupar se organizou num processo de comunicação muito eficiente, levando comida, produtos de primeira necessidade etc. Aí o Ocupar começou a ganhar atenção positiva da imprensa, elogios doNew York Times e, como dizem muitos amigos meus que estavam envolvidos, a política desapareceu. Tudo virou um caso humanitário, mas que tinha por trás um novo processo de organização de extrema importância política. DIPLOMATIQUE– Em 2001, na Argentina, ocorreu algo similar, com o “corralito”. Todos foram para as ruas, ocuparam a Praça de Maio, se organizaram de forma diferente. Mas logo tudo passou e os partidos políticos seguem iguais. Por quê? Vai ser sempre assim? HARVEY – Nos últimos quinze anos, os movimentos sociais têm sofrido de muita volatilidade. Os movimentos de massa, que envolvem milhões de pessoas, emergem com rapidez impressionante. Um grande exemplo é o de fevereiro de 2003, o protesto global contra a possibilidade de guerra no Iraque. Maravilhoso! Milhões de pessoas no mundo todo! E então desapareceu. Se esses milhões de pessoas de repente decidissem ficar nas ruas, o que aconteceria? Vemos muito esse tipo de política hoje, que é muito volátil. DIPLOMATIQUE– Também vemos muito hoje o conceito da horizontalidade: milhares ou milhões de pessoas sem líder. Em Rebel cities, você levanta o problema da “fetichização da horizontalidade”. HARVEY– Esse é um problema real. Muitas pessoas envolvidas são simpatizantes da ideia de que mais democracia significa menos lideranças. Mas o próprio exemplo do Ocupar-Sandy mostra que a centralização foi necessária para fazer as coisas que precisavam ser feitas. Organizações políticas precisam da combinação entre horizontalidade e algum conceito de verticalidade. Se você fetichiza a horizontalidade e a autonomia, acaba colocando a si mesmo em uma caixa fechada, sem poder nenhum. Um exemplo ao contrário são os zapatistas, uma organização militar que obviamente não era horizontal, tinha uma estrutura de controle. Parece mais simples usar o modelo de assembleias para tudo, mas não é. Algum senso de controle é necessário.
André Deak
Pós-Jornalista, professor, mestre em Teoria da Comunicação pela Universidade de São Paulo e cofundador da Casa da Cultura DigitalLucas PrettiPós-jornalista, ator, produtor cultural e idealizador do Festival BaixoCentro. Ilustração: Manohead |
| 01 de Maio de 2013 |
| Palavras chave: David Harvey, marxismo, cidades, metrópoles, capital, horizontalidade, orçamento participativo, O Capital, Brasil, Marx, revolução, paradigma, teoria, América Latina, Occupy Wall Street, New York Times, Congresso, Tea Party, classe média, trabalhadores, Estados Unidos, EUA, trabalho, operários,política, cooperação, Copa do Mundo |
| Disponível em http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1411 Acesso em 05/06/2013 |
sexta-feira, 17 de maio de 2013
quinta-feira, 16 de maio de 2013
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Primavera Árabe - cronologia e linha do tempo
Infográfico bem detalhado com os acontecimentos nos países que se envolveram na revolta árabe
http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/protestos-mundo-arabe/
http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/protestos-mundo-arabe/
O desenrolar da revolta Árabe
| Revolta Árabe | Internacional | 19/02/11 Wilson Sobrinho (*) A Primavera Árabe, como parte da imprensa tem se referido aos acontecimentos iniciados em dezembro na Tunísia e que na metade de fevereiro derrubaram o governo do Egito, transformou-se em uma rebelião tão grande que agora já transborda os limites daquele que é um dos verdadeiros parâmetros de grandeza do planeta Terra, o deserto do Saara. De onde o continente africano encontra o oceano Atlântico, no Marrocos, cruzando a extensão dos mares Mediterrâneo e Vermelho, englobando a península arábica para atravessar o golfo Pérsico até os limites da Ásia, no Irã, mais de 300 milhões de pessoas vivem em uma região sob ameaça de convulsão social decorrente de eventos que podem representar a maior redistribuição de forças no tabuleiro geopolítico global desde o fim do comunismo no Leste Europeu. A expressão barril de pólvora nunca fez tanto sentido. Argélia – Os argelinos primeiro foram as ruas para protestar contra a alta no preço dos alimentos em janeiro último. Os confrontos deixaram um saldo de 5 mortos e 800 feridos. No sábado (12/02) depois da queda do governo egípcio, mais protestos foram convocados pela oposição. Duas mil pessoas compareceram às ruas da capital Argel. 30 mil soldados os esperavam. Relatos dão conta de que 350 pessoas foram presas na ocasião. Mais protestos estão programados para este final de semana, apesar do estado de emergência, em vigor desde 1992, que proíbe manifestações públicas no país. Na segunda cidade da Argélia, Orã, por exemplo, as autoridades deram permissão para manifestações, contanto que aconteçam em locais fechado. A dissolução da lei de emergência e a saída do presidente Abdelaziz Bouteflika são algumas das bandeiras dos manifestantes. Bouteflika, que está no poder desde 1999 e recentemente alterou a regra que limitava o número de vezes que pode concorrer à reeleição, anunciou que deverá revogar a lei de emergência em semanas. Nos anos 1990, uma guerra civil ceifou entre 150 e 200 mil vidas no país. Arábia Saudita – Parcos foram os eventos até agora no país que guarda em seu subsolo um quinto das reservas de petróleo do mundo e que é o alicerce maior dos EUA no Oriente Médio. E poucos acreditam que o pavio saudita possa ser acesso, mas diante de tanta instabilidade ninguém ficará surpreso caso isso aconteça. Neste sábado (19/02), membros da minoria xiitas do país teriam organizado uma manifestação pacífica e silenciosa em apoio aos seus pares de Bahrein, relata a agência Reuters. Bahrein – As manifestações começaram no dia 14 de fevereiro, três dias depois da queda de Cairo. Quatro pessoas morreram quando as forças do governo tentavam retirar manifestantes da praça Pérola, na quinta-feira (17/02), em Manama, a capital dessa ilha do golfo Pérsico que abriga a Quinta Frota da marinha dos EUA. No enterro dos mortos, mais violência resultou em pelo menos 50 feridos. O governo, que primeiro pediu que os manifestantes abandonassem as ruas, passou chamar o diálogo, rejeitado pelas forças de oposição sob o argumento de que não há conversa possível com o exército nas ruas. Com 1,2 milhões de habitantes apenas, essa ilha do golfo Pérsico espremida entre o Catar e a Arábia Saudita está longe de ser a mais desimportante das repúblicas em convulsão. Analistas alertam que Bahrein pode representar a porta de entrada da Arábia Saudita na crise. Já que as demandas da maioria xiita do país são semelhantes a dos xiitas árabes, minoria concentrada na região leste do país. Egito – Uma semana depois da queda de Hosni Mubarak – o mais espetacular dos eventos alcançados pelos manifestantes nessa onda de revolta árabe até o momento – milhares de pessoas voltaram à praça Tahrir para celebrar o feito. Mas a manifestação pode ser compreendida também como um sinal de alerta às forças armadas que tomaram o poder depois da saída de Mubarak. Depois de derrubar um regime de 30 anos, em 18 dias de protestos, os egípcios sabem que sua revolução ainda não terminou até que o poder provisório dê lugar a um com regras bem claras e estabelecidas. Iêmen – no sul da península arábica, esse país tem, segundo a revista britânica The Economist, o maior potencial para ruptura social entre todos os envolvidos na revolta até agora. Há 32 anos no poder, Ali Abdullah Saleh anunciou em início de fevereiro que não irá buscar um novo mandato em 2013, nem irá apontar seu filho como herdeiro político. O comprometimento veio depois de uma manifestação que levou 16 mil pessoas às ruas da capital, Sana, pedindo a queda do governo. No dia seguinte ao anúncio, 20 mil pessoas voltaram às ruas da capital e de outras cidades para reforçar o pedido de fim do regime. Depois da queda de Mubarak, no Egito, manifestações diárias vem acontecendo no Iêmen. A maior delas, na sexta-feira, 18, quando milhares de manifestantes antigoverno foram às ruas da capital. Reprimidos pelo exército e por ativistas pró-governo, que chegaram a atirar uma granada em um grupo de pessoas, a contagem de mortos entre os manifestantes já chega a 12. Irã – Embora aplauda o levante popular em outras partes do mundo islâmico, Teerã – que divide com a Líbia o posto de maior inimigo dos EUA na região – não quer que o mesmo aconteça em seu território. Por outro lado, a oposição pretende aproveitar a onda de rebeldia para recobrar forças e voltar a desafiar o governo de Mahmoud Ahmadinejad. Dois manifestantes foram mortos na segunda-feira, dia 14, na capital, em confrontos envolvendo grupos de oposição e forças do governo. Como resposta, a oposição está chamando para domingo, dia 20, uma manifestação contra o governo, que por sua vez colocou os líderes oposicionistas em prisão domiciliar. Jordânia – Outro país onde as manifestações começaram em janeiro, fomentadas por altas nos preços de comida e energia. Em 28 de janeiro, 3,5 mil ativistas tomaram as ruas da capital, Amã, exigindo a saída do primeiro-ministro e uma ação mais forte do governo em relação ao desemprego e a alta do custo de vida. O rei Abdullah II foi rápido ao intervir e a dissolução do governo foi anunciada em começo de fevereiro. As manifestações seguiram, agora com a oposição pedindo reformas políticas e democracia. O único confronto registrado até agora na Jordânia aconteceu na sexta-feira, 18 de fevereiro, quando um grupo de manifestantes favoráveis ao governo atacou os oposicionistas com paus e pedras, até a polícia intervir. Líbia – Excluindo-se o rei da Tailândia e a rainha da Inglaterra, ninguém está no poder há tanto tempo quanto Muammar al-Gaddafi. O homem que comanda a Líbia desde o fim dos anos 1960 viu a revolta oposicionista ser incensada pelos eventos do Egito e da Tunísia. Desde o dia 15 de fevereiro, terça-feira, as manifestações contra Gaddafi são diárias no país principalmente na cidade de Bengasi, a segunda maior do país. Segundo agências internacionais, mas de 80 pessoas já teriam morrido em confrontos entre manifestantes e forças do governo. Em Trípoli, porém, não há relatos de grandes protestos até o momento e e o único evento relacionado à crise foi uma resposta de seguidores do governo ao protestos convocados pela oposição. Há relatos de que o governo teria bloqueado o acesso à internet no país, ou pelo menos a sites como Facebook e Twitter, armas reconhecidas dos oposicionistas em outros países. Marrocos – Os protestos em massa no país ainda não ganharam as ruas, mas estão prestes a fazê-lo. A oposição está convocando uma manifestação neste domingo (20/02). Organizados via Internet os manifestantes afirmam não ser um movimento antimonarquia e que apenas querem “um governo que represente as pessoas e não a elite”, como descreveu para a Associated Press nessa semana um dos membros do grupo chamado 20 de Fevereiro. Tunísia – Quando Mohamed Bouazizi colocou fogo em si mesmo, no dia 17 de dezembro de 2010, como um ato de desespero depois de ter suas mercadorias confiscadas pelas autoridades policiais da Tunísia, ele não teria como imaginar o que se seguiria. O ato do jovem vendedor de rua serviu de gatilho para a Primavera Árabe. Menos de um mês depois, o presidente de mais de 24 anos no comando do país africano havia sido colocado para correr e os portões do inferno haviam sido abertos para todos os déspotas da região. Mais de 200 pessoas morreram no processo, que ainda não acabou. Apesar da mudança de governo, os manifestantes tunisianos seguem mobilizados para garantir que antigos membros do governo não voltem à cena e que a transição para a democracia ocorra de fato. (*) Correspondente da Carta Maior em Londres. http://cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17455 |
A revolução que abalou o Oriente Médio
Infográfico sobre os protestos que deram origem a Primavera Árabe
http://www.estadao.com.br/especiais/a-revolucao-que-abalou-o-mundo-arabe,130095.htm
http://www.estadao.com.br/especiais/a-revolucao-que-abalou-o-mundo-arabe,130095.htm
Intervenção e direitos humanos nos conflitos da Primavera Árabe
| Intervenção e direitos humanos (*)Deisy Ventura Mais do que as intenções humanitárias, a intervenção do Ocidente nos levantes que convulsionam o mundo árabe esconde uma série de estratégias geopolíticas. Deisy Ventura*, professora de Direito Internacional do IRI-USP, avalia o papel da ONU na mediação dos conflitos e comenta os interesses e as consequências da atuação dos países ocidentais na Primavera Árabe. De uma maneira geral, como as decisões tomadas nas assembleias gerais da ONU e na Corte Internacional trazem resultados positivos para os direitos humanos? Deisy Ventura: Para tentar dizer em uma frase o papel da ONU em relação à Primavera Árabe: há uma grande assimetria no tratamento dos Estados envolvidos. O Ocidente se utiliza da PA para um acerto de contas com aliados que se tornaram menos confiáveis, mas se omite em relação a violações dos direitos humanos. A PA ofereceu um pretexto extraordinário para que os EUA e seus aliados – com papel muito importante da França – promovessem a intervenção na Líbia, mas ao mesmo tempo fizeram com que a comunidade internacional fosse omissa em relação a casos gravíssimos de violações, como o da Síria. Qual é a diferença entre a Síria e a Líbia? A diferença é o alinhamento maior ou menor dos poderes locais com os países que acabam determinando qual será a posição da comunidade internacional. São outros interesses? DV: Interesses energéticos, interesses políticos. A coisa mais perigosa hoje no Oriente Médio é ser ex-aliado dos EUA. A instabilidade política serviu de pretexto para a intervenção. Se o critério fosse efetivamente humanitário, teriam existido diversas intervenções das Nações Unidas nesse período. Na Líbia, mal havia sido tomada a resolução do Conselho de Segurança, e os chefes de Estado dos países ocidentais mais importantes estavam fazendo planos pós Gaddafi. É evidente que, por trás da criação da zona de exclusão aérea e de outros meios previstos na resolução do CS para proteger a população civil, havia um plano para destituição do Gaddafi e de implementação de um novo governo pró-Ocidente. Tanto que houve ataques à casa dele. DV: E o evento da morte do Gaddafi foi um ataque da Otan, que não executou diretamente o Gaddafi, mas que o ofereceu aos seus rivais. Alguém que deveria ter sido julgado pelo Tribunal Penal Internacional acaba sendo linchado por seus opositores políticos. Você acredita que houve uma contradição em relação ao respeito ao Direito Internacional no caso da Líbia? DV: Sem dúvida. A primeira resolução que foi tomada pelo CS já refere o TPI. Volto a repetir: não foi a Otan que matou o Gaddafi, mas ela se omitiu e o entregou. Claro que isso é uma violação importante dos direitos humanos. E qual é a moral da comunidade internacional? Como ela pode falar em valores se ela não privilegia a garantia de que haja um julgamento, de que haja o contraditório? Como você avalia a atuação da ONU na PA em comparação com outros casos que foram emblemáticos, como Ruanda, a ex-Iuguslávia, a Guerra do Iraque? DV: A experiência de intervenção da ONU é uma experiência mal sucedida. Hoje há um novo conceito, a “responsabilidade de proteger”. A comunidade internacional seria responsável pela proteção das populações em caso de ameaça ou risco de crimes contra a humanidade. É um nome bonito que tem abrigado intervenções que são pontuais e que infelizmente não têm sido pautadas pelo aspecto humanitário ou pela proteção dos direitos humanos. Se pensarmos em Ruanda, as Nações Unidas fracassaram. Na ex-Iuguslávia, a atuação da ONU foi tardia. Claro que existe o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iuguslávia, existe o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, que são iniciativas importantes em matéria de punição dos responsáveis. Mas quando os conflitos aconteceram a ONU chegou tarde. Como na Síria? DV: Na Síria não chegou ainda. Adotar uma resolução no Conselho de Direitos Humanos e enviar uma relatora especial não evita que as violações sejam praticadas. Uma vez mais, se a ONU chegar à Síria, terá chegado tarde. A grande pergunta é por que ainda não houve intervenção na Síria. Se lermos o que dizem as resoluções do CS sobre a Líbia, aqueles motivos estão presentes na Síria também. Você acha possível uma intervenção militar na Síria hoje? DV: Na minha opinião, acho que não. Porque o governo sírio ainda tem o apoio dos países mais importantes. A Síria é um barril de pólvora. No jogo de influência do Oriente Médio, a Síria tem um papel muito importante. Intervir na Síria é algo muito diferente de intervir na Líbia, vai ter consequências muito importantes. O que poderia ser alterado nas estruturas da ONU para mudar a maneira de lidar com essas intervenções? O sistema de veto que existe no CS, por exemplo? DV: O sistema de veto mantém um status quo da Guerra Fria e não consegue se atualizar. O poder de veto que China, Rússia, Estados Unidos, França e Reino Unido têm como membros permanentes é de assegurar suas zonas de influência. As graves violações dos direitos humanos têm autores e têm financiamento. Enquanto existirem as zonas de influência garantidas pelo veto, o CS nunca vai realizar sua missão, que é prevenir as ameaças à paz e à segurança internacional. Enquanto as violações são acobertadas ou praticadas pelos membros permanentes, o sistema não pode funcionar. Para não dizer que esses países que fazem parte do CS são os grandes líderes da indústria armamentista. Outra contradição… DV: É evidente que vão se fazer algumas intervenções humanitárias, mas nunca as mais importantes. O CS não é o órgão adequado para promover intervenções humanitárias. Nós poderíamos pensar no CDH. A pergunta é: os Estados aceitariam que o CDH tivesse poder de sanção e de intervenção armada? Porque dentro do CDH não haveria poder de veto. O CDH teria que se levantar contra Guantánamo, contra os atos que são praticados em Gaza e nos territórios ocupados. Nesse sistema em que o CS decreta a intervenção, essa escolha é feita sem critério algum. Não são as violações mais massivas, não são as mais graves, não são as mais importantes: são aquelas nas regiões onde há recursos energéticos abundantes e em que os aliados não são mais confiáveis. Entrando nessa questão dos aliados, como fica o equilíbrio das alianças com a intervenção? DV: O que a intervenção à Líbia garantiu foi uma maior presença do Ocidente em um local estratégico e a possibilidade de uma maior influência na região em uma época de instabilidade. A questão da liderança da França é especialmente interessante. Quando houve o movimento na Tunísia, a primeira declaração da França foi oferecer cooperação policial para o governo ditatorial. Do ponto de vista interno, era muito importante para a França conseguir auferir dividendos políticos com a intervenção na Líbia, porque precisava compensar essa imagem que havia sido desgastada na Tunísia. Mas a França também mantinha boas relações diplomáticas com a Líbia. DV: O Gaddafi fez uma visita oficial à França em 2007. A gente encontra facilmente fotos do Sarkozy com o Gaddafi. É óbvio que a ideia foi justamente essa: de compensar uma omissão anterior na Tunísia, que repercutiu muito mal junto à opinião pública francesa. Alguns analistas acreditam que os países do Ocidente se sentiram obrigados a intervir na PA por causa da omissão em Ruanda. A intenção era “mostrar serviço” para a comunidade internacional? DV: Dar à ilusão de que a comunidade internacional não tolera violações aos direitos humanos, quando na verdade ela tolera, inclusive nos membros permanentes do CS da ONU. E quanto à posição do Brasil? Se absteve na Líbia, se omite na Síria. É uma tentativa de colocar os direitos humanos à frente? DV: O Brasil tem uma consciência muito grande do precedente que é aberto com essas intervenções, não quer ser o país que dá lições aos demais em matéria de direitos humanos e não comunga dessa inocência de que as intervenções são realmente motivadas por violações aos direitos humanos. E se preocupa que a proteção aos direitos humanos possa justamente vir a motivar e a ser o argumento para intervenções que, de fato, têm outros objetivos. O Brasil é cauteloso em relação a isso. Mas ser cauteloso com relação às intervenções não significa que o Brasil devesse se omitir em relação à defesa dos direitos humanos no plano internacional. São duas visões diferentes. A gente poderia ser mais ativo em matéria de direitos humanos no cenário internacional, sem necessariamente aceitar essas intervenções, tendo uma posição mais crítica, por exemplo, no CDH. Em relação às sanções internacionais, é sempre muito complicado discutir, porque as sanções internacionais têm se mostrado majoritariamente ineficazes. Elas atingem quase sempre a população civil e não os próprios Estados, que praticam os crimes. Você falou das sanções. Acha que não foram eficientes? DV: Evidentemente não. O Iraque mesmo foi um exemplo: um país que foi sujeito, durante muitos anos, a sanções internacionais duríssimas e isso não resolveu. Tampouco a guerra resolveu. Qual foi o limite tênue entre a responsabilidade de proteger e a soberania nacional na intervenção na Líbia? DV: Toda vez que existe o uso da força em um Estado, existe um desrespeito total à ideia de soberania. Não sou uma defensora da soberania absoluta. Acho que é ilegítima a soberania exercida graças às violações de direitos humanos. Um regime autoritário se ocultar sob o manto da soberania para fazer qualquer coisa dentro do seu território. A soberania já tem limites pelos compromissos internacionais que o Estado firma, pelos próprios direitos humanos. Os direitos humanos são o limite da soberania. O problema é escolher os direitos de quem devem ser tutelados. O problema da intervenção humanitária não é que ela restrinja a soberania dos Estados, mas que ela não seja usada pelas razões em nome das quais ela é declarada. Como lidar com o dilema dos “efeitos colaterais” da intervenção? DV: Acho absurda essa expressão “dano colateral”. A morte de civis não pode ser [taxada de dano colateral]. E ela é, pela Otan, pelos exércitos de uma maneira geral. Essa tem que ser a questão principal: não pode haver morte de civis. Afinal, se intervém em nome da vida desses civis. A ideia de dano colateral é inaceitável. Por que eles acontecem? Porque o objetivo não é a vida das pessoas. E aí a expressão é muito reveladora do que realmente está em jogo. Na prática, como seria uma intervenção sem esses danos? DV: Acertando os alvos, para começar. Mas eu não consigo imaginar uma intervenção para proteger os direitos humanos com bombardeios cirúrgicos, por exemplo. Se se trata mesmo de uma intervenção humanitária, as tropas internacionais se expõem, com acesso por terra, para proteger diretamente as populações. E só vão atacar se forem atacadas. Essa ideia das missões de paz é uma ideia que tem que ser mantida, inclusive, nas intervenções humanitárias. Proteger civis é uma coisa, atingir o exército do país é outra. Vão morrer soldados internacionais, vão. Mas aí, pelo menos, essas mortes terão sido motivadas por um valor que deve ser mesmo comum à humanidade, que é a proteção aos direitos das pessoas. (*)Deisy Ventura é professora de Direito Internacional do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI-USP). http://olharesprimaveraarabe.wordpress.com/2012/03/15/intervencao-e-direitos-humanos-deisy-ventura/ Acesso em:24/06/12 |
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Primavera Árabe
https://www.youtube.com/watch?v=KOm-2JhmbnI
Especial TV Cultura: Primavera Árabe
Esse vídeo esclarece e contextualiza as causas dos conflitos que deu início ao levante no norte da África.
domingo, 24 de março de 2013
Reflexão sobre a Guerra do Iraque
Dez anos no Iraque
Lee Siegel
Nova Jersey
Lee Siegel
Nova Jersey
Os Estados Unidos se debruçam sobre a comemoração do décimo aniversário do início da Guerra do Iraque na forma de reflexões, ponderações, lamentos e sutis auto justificativas, pessoas que fizeram rufar os tambores da guerra agora se atormentam com todos os chacinados e mutilados; pessoas que advertiram desde o começo que invadir o Iraque seria catastrófico recebem um modesto reconhecimento; pessoas que eram pela guerra agora lamentam seu ardor, mas continuam a argumentar que os Estados Unidos não devem se abster de se envolver no exterior quando existe uma obrigação moral para fazê-lo.
Algumas dessas pessoas são dignas e honestas, algumas , exatamente o oposto, a maioria em algum ponto entre as duas coisas. Mas as verdadeiras causas da guerra raramente são discutidas.
Uma foi, muito simplesmente, o estado vulnerável da mídia às vésperas da invasão. Antes de haver as alucinações das armas de destruição de Saddam Hussein, havia a internet. O advento da web semeou terror nos corações até dos bem intencionados editores e produtores. Por feio que possa parecer dizer isso, a guerra - em um nível consciente ou inconsciente - lhes veio como uma salvação.
A blogosfera não poderia competir com os recursos das grandes organizações noticiosas que tinha a capacidade de enviar repórteres ao Oriente Médio. Assim, a invasão do Iraque era algo que somente a combalida mídia convencional poderia cobrir. ' Viés confirmatório" é o nome robótico que neurocientistas dão ao fenômeno de encontrar provas para uma tese que se acredita ser verdadeira. Mesmo aquelas pessoas da mídia que sabiam que Saddam não possuía armas de destruição em massa no contexto político não puderam resistir à suspeita de que ele as tinha no contexto de sua profissão ameaçada. A guerra do Iraque tirou a vida de milhares de soldados americanos e de quase i milhão de iraquianos, e mutilou centenas de milhares de outros, dos dois lados. Mas salvou a mídia americana.
É difícil escrever sobre a Guerra no Iraque sem um abjeto cinismo porque, durante quase dez anos de carnificina, se você vivia em uma grande cidade americana, não tinha a menor sensação de que estivesse havendo alguma guerra. Por toda a América rural e interiorana, quase todos tinham um ente querido lutando na guerra, ou sabiam de alguém que estivesse. Isso significa que havia um número crescente de pessoas esfrangalhadas ou de luto em todos esses lugares também . Mas durante todo esse tempo, jamais encontrei uma única pessoas em meus círculos em Nova York ou Los Angeles que tivesse uma relação pessoal com a guerra.
Isso não significa que a guerra não afetou os grandes centros metropolitanos. Seguramente afetou. Sei de pessoas que foram ao Iraque por dez minutos e voltaram com polpudos contratos para escrever livros. Ou conseguiam que alguma revista lhes pagasse uma pequena fortuna enquanto buscavam glória e fama em segurança atrás das linhas. Um conhecido meu que era crítico de cinema num jornal diário convenceu seus editores a deixá-lo ser correspondente de Guerra no Iraque. Outro, um primo - não suficientemente - distante, que havia estudado administração em Harvard , ansiava ir ao Iraque porque sentia que havia "oportunidades" por lá. Sua mãe, acredito, convenceu de a guerra não significa apenas oportunidades econômicas - isso ela oferece de fato -, mas também bombas e balas, e ele adiou indefinidamente sua aventura.
Só há realmente uma coisa a dizer sobre a Guerra do Iraque e um punhado de pessoas a disse ousada e lindamente . Ela foi um absoluto, consumado, indesculpável, imperdoável desastre. Foi empreendida por (George W( Bush porque ele havia sido emasculado por seu pai, e porque provavelmente ainda era um alcoólatra na época; empreendida por (o vice-presidente Dick) Cheney, que manipulou Bush para consolidar seu próprio poder; possibilitada pela mídia para salvar sua própria pele; saudada por entendidos e intelectuais que se entregaram a uma fantasia alucinada de agressão e retificação porque sofrem com o abismo vertiginoso entre suas mentes poderosas e a real impotência que experimentaram no mundo.
O comentário mais enloquente e cáustico sobre o aniversário da guerra veio de uma carta aberta a Bush e Cheney de um veterano do Exército americano que lutou no Iraque chamado Tomas Young, que está morrendo num hospital dos ferimentos sofridos naquele conflito. Em sua carta, publicada na internet, ele diz que está escrevendo em nome de todos - americanos e iraquianos - que morreram ou foram feridos na guerra. Ele diz a Bush e Cheney: "vocês podem escapar da justiça, mas aos nossos olhos, cada um de vocês é culpado de crimes de guerra odiosos, de saque, e, finalmente, de assassinato..." "espero", diz ele, "que sejam julgados".
Bush e Cheney jamais enfrentarão um julgamento, mas não há nada a acrescentar ao grito perturbador inesquecível, do coração de Young. Os arquitetos da guerra alegaram que sentiram uma sede de justiça em favor de todos os iraquianos que iam "libertar" e "democratizar". A amarga ironia é que Young, e todos os seres humanos dilacerados pela guerra, são os que agora estão clamando por justiça com toda a paixão e a retidão moral que os intigadores da Guerra no Iraque alegavam ter, mas não tinham.
Atribuem a Hermann Goering, que teria apreciado a amoralidade de Cheney e suas astuciosas apropriações do poder, a declaração "quando ouço a palavra 'cultura', levo a mão ao revólver". Após a carnificina no Iraque, quando eu ouço a palavra "guerra", ou a palavra "democratização", ou mesmo a palavra "intervenção humanitária", vou procurar os passaportes da minha família.
Esse artigo encontra-se no jornal Estado de São Paulo de domingo, versão impressa.
O Estado de São Paulo, caderno 2. D1. domingo 24 de março de 2013
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
esse vídeo desfaz algumas hipóteses tidas como verdades
Importante entrevista com prof. Dr. Molion
Entrevista Prof. Dr. Molion no Canal Livre - BAND
Uma crítica ao "Aquecimento Global"
Publicado em 18/05/2012
Aquecimento Global é terrorismo climático"
Luís Carlos Molion
Pesquisador diz que
tendência dos próximos anos é o esfriamento da Terra e que efeito estufa é tese
manipulada pelos países ricos
Por RODRIGO RANGEL
O professor Luiz Carlos Molion é daqueles cientistas que não
temem nadar contra a corrente. Na Rio 92 (ou Eco 92), quando o planeta discutia
o aumento do buraco na camada de ozônio, ele defendeu que não havia motivo para
tamanha preocupação.
Numa conferência, peitou o badalado mexicano Mario Molina,
mais tarde Nobel de Química, um dos primeiros a fazer o alerta. Agora, a guerra
acadêmica de Molion tem outro nome: aquecimento global. Pós-doutor em
meteorologia formado na Inglaterra e nos Estados Unidos, membro do Instituto de
Estudos Avançados de Berlim e representante da América Latina na Organização
Meteorológica Mundial, esse paulista de 61 anos defende com veemência a tese de
que a temperatura do planeta não está subindo e que a ação do homem, com a emissão
crescente de gás carbônico (CO2) e outros poluentes, nada tem a ver com o
propalado aquecimento global. Boa notícia?
Nem tanto, diz. Molion sustenta que está em marcha um
processo de resfriamento do planeta. "Estamos entrando numa nova era
glacial, o que para o Brasil poderá ser pior", pontifica. Para Molion, por
trás da propagação catastrófica do aquecimento global há um movimento dos
países ricos para frear o desenvolvimento dos emergentes. O professor ainda faz
uma reclamação: diz que cientistas contrários à tese estão escanteados pelas
fontes de financiamento de pesquisa.
Isto é - Com base em que o sr. diz que não há aquecimento global?
LUIZ CARLOS MOLION -
É difícil
dizer que o aquecimento é global. O Hemisfério Sul é diferente do Hemisfério
Norte, e a partir disso é complicado pegar uma temperatura e falar em
temperatura média global. Os dados dos 44 Estados contíguos dos EUA, que têm
uma rede de medição bem mantida, mostram que nas décadas de 30 e 40 as
temperaturas foram mais elevadas que agora. A maior divergência está no fato de
quererem imputar esse aquecimento às atividades humanas, particularmente à
queima de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão, e à agricultura, atrás
da agropecuária, que libera metano. Quando a gente olha a série temporal de 150
anos usada pelos defensores da tese do aquecimento, vê claramente que houve um
período, entre 1925 e 1946, em que a temperatura média global sofreu um aumento
de cerca de 0,4 grau centígrado. Aí a pergunta é: esse aquecimento foi devido
ao CO2?
Isto é - Como, se nessa época o homem liberava para a atmosfera
menos de 10% do que libera hoje?
LUIZ CARLOS MOLION -
Depois,
no pós-guerra, quando a atividade industrial aumentou, e o consumo de petróleo
também, houve uma queda nas temperaturas.
Isto é - Qual seria a origem
das variações de temperatura?
LUIZ CARLOS MOLION -
Há dez
anos, descobriu-se que o Oceano Pacífico tem um modo muito singular na variação
da sua temperatura. Me parece lógico que o Pacífico interfira no clima global.
Primeiro, a atmosfera terrestre é aquecida por debaixo, ou seja, temos
temperaturas mais altas aqui na superfície e à medida que você sobe a
temperatura vai caindo - na altura em que voa um jato comercial, por exemplo, a
temperatura externa chega a 45 ou 50 graus abaixo de zero. Ora, o Pacífico
ocupa um terço da superfície terrestre. Juntando isso tudo, claro está que, se
houver uma variação na temperatura da superfície do Pacífico, vai afetar o
clima.
Isto é - O IPCC (Painel
Intergovernamental sobre Mudança Climática, da ONU) está errado?
LUIZ CARLOS MOLION -
O painel
não leva em consideração todos os dados. Outra coisa que incomoda bastante, e
que o Al Gore [exvice- presidente dos EUA e estrela do documentário Uma verdade
inconveniente, sobre mudanças no clima] usa muito, é a concentração de CO2. O
IPCC diz claramente que a concentração atingida em 2005, de 339 partes por
milhão, ou ppm, foi a maior dos últimos 650 mil anos. Isso é uma coisa
ridícula. Eles usam uma série iniciada em 1957 e não fazem menção a medições de
concentração de gás carbônico anteriores. É como se nunca ninguém tivesse se
preocupado com isso. O aumento de CO2 não é um fenômeno novo. Nos últimos 150
anos, já chegou a 550, 600 ppm. Como é que se jogam fora essas medidas? Só
porque não interessam ao argumento? O leigo, quando vê a coisa da maneira que é
apresentada, pensa que só começaram a medir nos últimos 50 anos. O Al Gore usou
no filme a curva do CO2 lá embaixo há 650 mil anos e, agora, decolando.
Ridículo, palhaço.
Isto é - Esses temores são
cíclicos?
LUIZ CARLOS MOLION -
Eu tenho
fotos da capa da Time em 1945 que dizia: "O mundo está fervendo."
Depois, em 1947, as manchetes diziam que estávamos indo para uma nova era
glacial. Agora, de novo se fala em aquecimento. Não é que os eventos sejam cíclicos,
porque existem muitos fatores que interferem no clima global. Sem exagero, eu
digo que o clima da Terra é resultante de tudo o que ocorre no universo. Se a
poeira de uma supernova que explodiu há 15 milhões de anos for densa e passar
entre o Sol e a Terra, vai reduzir a entrada de radiação solar no sistema e
mudar o clima. Esse ciclo de aquecimento muito provavelmente já terminou em
1998. Existem evidências, por medidas feitas via satélite e por cruzeiros de
navio, de que o oceano Pacífico está se aquecendo fora dos trópicos - daí o
derretimento das geleiras - e o Pacífico tropical está esfriando, o que
significa que estamos entrando numa nova fase fria. Quando esfria é pior para
nós.
Isto é - Por que é pior?
LUIZ CARLOS MOLION -
Porque
quando a atmosfera fica fria ela tem menor capacidade de reter umidade e aí
chove menos. Eu gostaria que aquecesse realmente porque, durante o período
quente, os totais pluviométricos foram maiores, enquanto de 1946 a 1976 a chuva no Brasil como
um todo ficou reduzida.
Isto é - No que isso pode
interferir na vida do brasileiro?
LUIZ CARLOS MOLION -
As
conseqüências para o Brasil são drásticas. O Sul e o Sudeste devem sofrer uma
redução de chuvas da ordem de 10% a 20%, dependendo da região. Mas vai ter
invernos em que a freqüência de massas de ar polar vai ser maior, provocando
uma freqüência maior de geadas. A Amazônia vai ter uma redução de chuvas e,
principalmente, a Amazônia oriental e o sul da Amazônia vão ter uma freqüência
maior de seca, como foi a de 2005. O Nordeste vai sofrer redução de chuva. O
que mais me preocupa é que, do ponto de vista da agricultura, as regiões sul do
Maranhão, leste e sudeste do Pará, Tocantins e Piauí são as que apresentam
sinais mais fortes. Essas regiões preocupam porque são a fronteira de expansão
da soja brasileira. A precipitação vai reduzir e certamente vai haver redução
de produtividade. Infelizmente, para o Brasil é pior do que seria se houvesse o
aquecimento.
Isto é - A quem interessaria o
discurso do "aquecimento"?
LUIZ CARLOS MOLION -
Quando
eu digo que muito provavelmente estamos num processo de resfriamento, eu faço
por meio de dados. O IPCC, o nome já diz, é constituído de pessoas que são
designadas por seus governos. Os representantes do G-7 não vão aleatoriamente.
Vão defender os interesses de seus governos. No momento em que começa uma
pressão desse tipo, eu digo que já vi esse filme antes, na época do discurso da
destruição da camada de ozônio pelos CFCs, os compostos de clorofluorcarbonos.
Os CFCs tinham perdido o direito de patente e haviam se tornado domínio
público. Aí inventaram a história de que esses compostos estavam destruindo a
camada de ozônio. Começou exatamente com a mesma fórmula de agora. Em 1987, sob
liderança da Margaret Thatcher, fizeram uma reunião em Montreal de onde saiu um
protocolo que obrigava os países subdesenvolvidos a eliminar os CFCs. O Brasil
assinou. Depois, ficamos sabendo que assinou porque foi uma das condições
impostas pelo FMI para renovar a dívida externa brasileira. É claro que o
interesse por trás disso certamente não é conservacionista.
Isto é - Mas reduzir a emissão
de CFCs não foi uma medida importante?
LUIZ CARLOS MOLION -
O Al
Gore no filme dele diz "nós resolvemos um problema muito crucial que foi a
destruição da camada de ozônio". Como resolveram, se cientistas da época
diziam que a camada de ozônio só se recuperaria depois de 2100? Na Eco 92, eu
disse que se tratava de uma atitude neocolonialista. No colonialismo
tradicional se colocam tropas para manter a ordem e o domínio. No neocolonialismo
a dominação é pela tecnologia, pela economia e, agora, por um terrorismo
climático como é esse aquecimento global. O fato é que agora a indústria, que
está na Inglaterra, França, Alemanha, no Canadá, nos Estados Unidos, tem gases
substitutos e cobra royalties de propriedade. E ninguém fala mais em problema
na camada de ozônio, sendo que, na realidade, a previsão é de que agora em
outubro o buraco será um dos maiores da história.
Isto é - O sr. também vê
interesses econômicos por trás do diagnóstico do aquecimento global?
LUIZ CARLOS MOLION -
É
provável que existam interesses econômicos por detrás disso, uma vez que os
países que dominam o IPCC são os mesmos países que já saíram beneficiados lá
atrás.
Isto é - Não é teoria
conspiratória concluir que há uma tentativa de frear o desenvolvimento dos
países emergentes?
LUIZ CARLOS MOLION -
O que eu
sei é que não há bases sólidas para afirmar que o homem seja responsável por
esse aquecimento que, na minha opinião, já acabou. Em 1798, Thomas Malthus,
inglês, defendeu que a população dos países pobres, à medida que crescesse,
iria querer um nível de desenvolvimento humano mais adequado e iria concorrer
pelos recursos naturais existentes. É possível que a velha teoria malthusiana
esteja sendo ressuscitada e sendo imposta através do aquecimento global, porque
agora querem que nós reduzamos o nosso consumo de petróleo, enquanto a
sociedade americana, sozinha, consome um terço do que é produzido no mundo.
Isto é - Para aceitar a tese do
sr., é preciso admitir que há desonestidade dos cientistas que chancelam o
diagnóstico do aquecimento global...
LUIZ CARLOS MOLION -
Eu digo
que cientistas são honestos, mas hoje tem muito mais dinheiro nas pesquisas
sobre clima para quem é favorável ao aquecimento global. Dinheiro que vem dos
governos, que arrecadam impostos das indústrias que têm interesse no assunto.
Muitos cientistas se prostituem, se vendem para ter os seus projetos aprovados.
Dançam a mesma música que o IPCC toca.
Isto é - O sr. se considera
prejudicado por defender a linha oposta?
LUIZ CARLOS MOLION -
Na Eco
92, eu debati com o Mario Molina, que foi quem criou a hipótese de que os
clorofluorcarbonos estariam destruindo o ozônio. Ele, em 1995, virou prêmio
Nobel de Química. E o professor Molion ficou na geladeira. De 1992 a 1997 eu não fui mais
convidado para nenhum evento internacional. Eu tinha US$ 50 mil que o Programa
das Nações Unidas havia repassado para fazer uma pesquisa na Amazônia e esse
dinheiro foi cancelado.
Isto é - O cenário que o sr.
traça inclui ou exclui o temor de cidades litorâneas serem tomadas pelo aumento
do nível dos oceanos?
LUIZ CARLOS MOLION -
Também
nesse aspecto, o que o IPCC diz não é verdade. É possível que, com o novo ciclo
de resfriamento, o gelo da Groenlândia possa aumentar e pode ser até que haja
uma ligeira diminuição do nível do mar.
Isto é - Pela sua tese, seria
o começo de uma nova era glacial?
LUIZ CARLOS MOLION -
Como já
faz 15 mil anos que a última Era Glacial terminou, e os períodos interglaciais
normalmente são de 12 mil anos, é provável que nós já estejamos dentro de uma
nova era glacial. Obviamente a temperatura não cai linearmente, mas a tendência
de longo prazo certamente é decrescer, o que é mau para o homem. Eu gostaria
muito que houvesse realmente um aquecimento global, mas na realidade os dados
nos mostram que, infelizmente, estamos caminhando para um resfriamento. Mas não
precisa perder o sono, porque vai demorar uns 100 mil anos para chegar à
temperatura mínima. E quem sabe, até lá, a gente não encontre as soluções para
a humanidade.
Revista isto é. Edição
nº. 1967 de 11 de julho de 2009
Acesso em 11/02/213
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