Aquecimento Global é terrorismo climático"
Luís Carlos Molion
Pesquisador diz que
tendência dos próximos anos é o esfriamento da Terra e que efeito estufa é tese
manipulada pelos países ricos
Por RODRIGO RANGEL
O professor Luiz Carlos Molion é daqueles cientistas que não
temem nadar contra a corrente. Na Rio 92 (ou Eco 92), quando o planeta discutia
o aumento do buraco na camada de ozônio, ele defendeu que não havia motivo para
tamanha preocupação.
Numa conferência, peitou o badalado mexicano Mario Molina,
mais tarde Nobel de Química, um dos primeiros a fazer o alerta. Agora, a guerra
acadêmica de Molion tem outro nome: aquecimento global. Pós-doutor em
meteorologia formado na Inglaterra e nos Estados Unidos, membro do Instituto de
Estudos Avançados de Berlim e representante da América Latina na Organização
Meteorológica Mundial, esse paulista de 61 anos defende com veemência a tese de
que a temperatura do planeta não está subindo e que a ação do homem, com a emissão
crescente de gás carbônico (CO2) e outros poluentes, nada tem a ver com o
propalado aquecimento global. Boa notícia?
Nem tanto, diz. Molion sustenta que está em marcha um
processo de resfriamento do planeta. "Estamos entrando numa nova era
glacial, o que para o Brasil poderá ser pior", pontifica. Para Molion, por
trás da propagação catastrófica do aquecimento global há um movimento dos
países ricos para frear o desenvolvimento dos emergentes. O professor ainda faz
uma reclamação: diz que cientistas contrários à tese estão escanteados pelas
fontes de financiamento de pesquisa.
Isto é - Com base em que o sr. diz que não há aquecimento global?
LUIZ CARLOS MOLION -
É difícil
dizer que o aquecimento é global. O Hemisfério Sul é diferente do Hemisfério
Norte, e a partir disso é complicado pegar uma temperatura e falar em
temperatura média global. Os dados dos 44 Estados contíguos dos EUA, que têm
uma rede de medição bem mantida, mostram que nas décadas de 30 e 40 as
temperaturas foram mais elevadas que agora. A maior divergência está no fato de
quererem imputar esse aquecimento às atividades humanas, particularmente à
queima de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão, e à agricultura, atrás
da agropecuária, que libera metano. Quando a gente olha a série temporal de 150
anos usada pelos defensores da tese do aquecimento, vê claramente que houve um
período, entre 1925 e 1946, em que a temperatura média global sofreu um aumento
de cerca de 0,4 grau centígrado. Aí a pergunta é: esse aquecimento foi devido
ao CO2?
Isto é - Como, se nessa época o homem liberava para a atmosfera
menos de 10% do que libera hoje?
LUIZ CARLOS MOLION -
Depois,
no pós-guerra, quando a atividade industrial aumentou, e o consumo de petróleo
também, houve uma queda nas temperaturas.
Isto é - Qual seria a origem
das variações de temperatura?
LUIZ CARLOS MOLION -
Há dez
anos, descobriu-se que o Oceano Pacífico tem um modo muito singular na variação
da sua temperatura. Me parece lógico que o Pacífico interfira no clima global.
Primeiro, a atmosfera terrestre é aquecida por debaixo, ou seja, temos
temperaturas mais altas aqui na superfície e à medida que você sobe a
temperatura vai caindo - na altura em que voa um jato comercial, por exemplo, a
temperatura externa chega a 45 ou 50 graus abaixo de zero. Ora, o Pacífico
ocupa um terço da superfície terrestre. Juntando isso tudo, claro está que, se
houver uma variação na temperatura da superfície do Pacífico, vai afetar o
clima.
Isto é - O IPCC (Painel
Intergovernamental sobre Mudança Climática, da ONU) está errado?
LUIZ CARLOS MOLION -
O painel
não leva em consideração todos os dados. Outra coisa que incomoda bastante, e
que o Al Gore [exvice- presidente dos EUA e estrela do documentário Uma verdade
inconveniente, sobre mudanças no clima] usa muito, é a concentração de CO2. O
IPCC diz claramente que a concentração atingida em 2005, de 339 partes por
milhão, ou ppm, foi a maior dos últimos 650 mil anos. Isso é uma coisa
ridícula. Eles usam uma série iniciada em 1957 e não fazem menção a medições de
concentração de gás carbônico anteriores. É como se nunca ninguém tivesse se
preocupado com isso. O aumento de CO2 não é um fenômeno novo. Nos últimos 150
anos, já chegou a 550, 600 ppm. Como é que se jogam fora essas medidas? Só
porque não interessam ao argumento? O leigo, quando vê a coisa da maneira que é
apresentada, pensa que só começaram a medir nos últimos 50 anos. O Al Gore usou
no filme a curva do CO2 lá embaixo há 650 mil anos e, agora, decolando.
Ridículo, palhaço.
Isto é - Esses temores são
cíclicos?
LUIZ CARLOS MOLION -
Eu tenho
fotos da capa da Time em 1945 que dizia: "O mundo está fervendo."
Depois, em 1947, as manchetes diziam que estávamos indo para uma nova era
glacial. Agora, de novo se fala em aquecimento. Não é que os eventos sejam cíclicos,
porque existem muitos fatores que interferem no clima global. Sem exagero, eu
digo que o clima da Terra é resultante de tudo o que ocorre no universo. Se a
poeira de uma supernova que explodiu há 15 milhões de anos for densa e passar
entre o Sol e a Terra, vai reduzir a entrada de radiação solar no sistema e
mudar o clima. Esse ciclo de aquecimento muito provavelmente já terminou em
1998. Existem evidências, por medidas feitas via satélite e por cruzeiros de
navio, de que o oceano Pacífico está se aquecendo fora dos trópicos - daí o
derretimento das geleiras - e o Pacífico tropical está esfriando, o que
significa que estamos entrando numa nova fase fria. Quando esfria é pior para
nós.
Isto é - Por que é pior?
LUIZ CARLOS MOLION -
Porque
quando a atmosfera fica fria ela tem menor capacidade de reter umidade e aí
chove menos. Eu gostaria que aquecesse realmente porque, durante o período
quente, os totais pluviométricos foram maiores, enquanto de 1946 a 1976 a chuva no Brasil como
um todo ficou reduzida.
Isto é - No que isso pode
interferir na vida do brasileiro?
LUIZ CARLOS MOLION -
As
conseqüências para o Brasil são drásticas. O Sul e o Sudeste devem sofrer uma
redução de chuvas da ordem de 10% a 20%, dependendo da região. Mas vai ter
invernos em que a freqüência de massas de ar polar vai ser maior, provocando
uma freqüência maior de geadas. A Amazônia vai ter uma redução de chuvas e,
principalmente, a Amazônia oriental e o sul da Amazônia vão ter uma freqüência
maior de seca, como foi a de 2005. O Nordeste vai sofrer redução de chuva. O
que mais me preocupa é que, do ponto de vista da agricultura, as regiões sul do
Maranhão, leste e sudeste do Pará, Tocantins e Piauí são as que apresentam
sinais mais fortes. Essas regiões preocupam porque são a fronteira de expansão
da soja brasileira. A precipitação vai reduzir e certamente vai haver redução
de produtividade. Infelizmente, para o Brasil é pior do que seria se houvesse o
aquecimento.
Isto é - A quem interessaria o
discurso do "aquecimento"?
LUIZ CARLOS MOLION -
Quando
eu digo que muito provavelmente estamos num processo de resfriamento, eu faço
por meio de dados. O IPCC, o nome já diz, é constituído de pessoas que são
designadas por seus governos. Os representantes do G-7 não vão aleatoriamente.
Vão defender os interesses de seus governos. No momento em que começa uma
pressão desse tipo, eu digo que já vi esse filme antes, na época do discurso da
destruição da camada de ozônio pelos CFCs, os compostos de clorofluorcarbonos.
Os CFCs tinham perdido o direito de patente e haviam se tornado domínio
público. Aí inventaram a história de que esses compostos estavam destruindo a
camada de ozônio. Começou exatamente com a mesma fórmula de agora. Em 1987, sob
liderança da Margaret Thatcher, fizeram uma reunião em Montreal de onde saiu um
protocolo que obrigava os países subdesenvolvidos a eliminar os CFCs. O Brasil
assinou. Depois, ficamos sabendo que assinou porque foi uma das condições
impostas pelo FMI para renovar a dívida externa brasileira. É claro que o
interesse por trás disso certamente não é conservacionista.
Isto é - Mas reduzir a emissão
de CFCs não foi uma medida importante?
LUIZ CARLOS MOLION -
O Al
Gore no filme dele diz "nós resolvemos um problema muito crucial que foi a
destruição da camada de ozônio". Como resolveram, se cientistas da época
diziam que a camada de ozônio só se recuperaria depois de 2100? Na Eco 92, eu
disse que se tratava de uma atitude neocolonialista. No colonialismo
tradicional se colocam tropas para manter a ordem e o domínio. No neocolonialismo
a dominação é pela tecnologia, pela economia e, agora, por um terrorismo
climático como é esse aquecimento global. O fato é que agora a indústria, que
está na Inglaterra, França, Alemanha, no Canadá, nos Estados Unidos, tem gases
substitutos e cobra royalties de propriedade. E ninguém fala mais em problema
na camada de ozônio, sendo que, na realidade, a previsão é de que agora em
outubro o buraco será um dos maiores da história.
Isto é - O sr. também vê
interesses econômicos por trás do diagnóstico do aquecimento global?
LUIZ CARLOS MOLION -
É
provável que existam interesses econômicos por detrás disso, uma vez que os
países que dominam o IPCC são os mesmos países que já saíram beneficiados lá
atrás.
Isto é - Não é teoria
conspiratória concluir que há uma tentativa de frear o desenvolvimento dos
países emergentes?
LUIZ CARLOS MOLION -
O que eu
sei é que não há bases sólidas para afirmar que o homem seja responsável por
esse aquecimento que, na minha opinião, já acabou. Em 1798, Thomas Malthus,
inglês, defendeu que a população dos países pobres, à medida que crescesse,
iria querer um nível de desenvolvimento humano mais adequado e iria concorrer
pelos recursos naturais existentes. É possível que a velha teoria malthusiana
esteja sendo ressuscitada e sendo imposta através do aquecimento global, porque
agora querem que nós reduzamos o nosso consumo de petróleo, enquanto a
sociedade americana, sozinha, consome um terço do que é produzido no mundo.
Isto é - Para aceitar a tese do
sr., é preciso admitir que há desonestidade dos cientistas que chancelam o
diagnóstico do aquecimento global...
LUIZ CARLOS MOLION -
Eu digo
que cientistas são honestos, mas hoje tem muito mais dinheiro nas pesquisas
sobre clima para quem é favorável ao aquecimento global. Dinheiro que vem dos
governos, que arrecadam impostos das indústrias que têm interesse no assunto.
Muitos cientistas se prostituem, se vendem para ter os seus projetos aprovados.
Dançam a mesma música que o IPCC toca.
Isto é - O sr. se considera
prejudicado por defender a linha oposta?
LUIZ CARLOS MOLION -
Na Eco
92, eu debati com o Mario Molina, que foi quem criou a hipótese de que os
clorofluorcarbonos estariam destruindo o ozônio. Ele, em 1995, virou prêmio
Nobel de Química. E o professor Molion ficou na geladeira. De 1992 a 1997 eu não fui mais
convidado para nenhum evento internacional. Eu tinha US$ 50 mil que o Programa
das Nações Unidas havia repassado para fazer uma pesquisa na Amazônia e esse
dinheiro foi cancelado.
Isto é - O cenário que o sr.
traça inclui ou exclui o temor de cidades litorâneas serem tomadas pelo aumento
do nível dos oceanos?
LUIZ CARLOS MOLION -
Também
nesse aspecto, o que o IPCC diz não é verdade. É possível que, com o novo ciclo
de resfriamento, o gelo da Groenlândia possa aumentar e pode ser até que haja
uma ligeira diminuição do nível do mar.
Isto é - Pela sua tese, seria
o começo de uma nova era glacial?
LUIZ CARLOS MOLION -
Como já
faz 15 mil anos que a última Era Glacial terminou, e os períodos interglaciais
normalmente são de 12 mil anos, é provável que nós já estejamos dentro de uma
nova era glacial. Obviamente a temperatura não cai linearmente, mas a tendência
de longo prazo certamente é decrescer, o que é mau para o homem. Eu gostaria
muito que houvesse realmente um aquecimento global, mas na realidade os dados
nos mostram que, infelizmente, estamos caminhando para um resfriamento. Mas não
precisa perder o sono, porque vai demorar uns 100 mil anos para chegar à
temperatura mínima. E quem sabe, até lá, a gente não encontre as soluções para
a humanidade.
Revista isto é. Edição
nº. 1967 de 11 de julho de 2009
Acesso em 11/02/213
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