quarta-feira, 1 de outubro de 2014

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Terra, a força dos vulcões


https://www.youtube.com/watch?v=Ab5W210mvpY
Postado por UNIVESPTV

quarta-feira, 16 de julho de 2014


Revolta Árabe | Internacional | 19/02/11

  Wilson Sobrinho (*)
  A Primavera Árabe, como parte da imprensa tem se referido aos acontecimentos iniciados em dezembro na Tunísia e que na metade de fevereiro derrubaram o governo do Egito, transformou-se em uma rebelião tão grande que agora já transborda os limites daquele que é um dos verdadeiros parâmetros de grandeza do planeta Terra, o deserto do Saara.

  De onde o continente africano encontra o oceano Atlântico, no Marrocos, cruzando a extensão dos mares Mediterrâneo e Vermelho, englobando a península arábica para atravessar o golfo Pérsico até os limites da Ásia, no Irã, mais de 300 milhões de pessoas vivem em uma região sob ameaça de convulsão social decorrente de eventos que podem representar a maior redistribuição de forças no tabuleiro geopolítico global desde o fim do comunismo no Leste Europeu. A expressão barril de pólvora nunca fez tanto sentido.

    Argélia – Os argelinos primeiro foram as ruas para protestar contra a alta no preço dos alimentos em janeiro último. Os confrontos deixaram um saldo de 5 mortos e 800 feridos. No sábado (12/02) depois da queda do governo egípcio, mais protestos foram convocados pela oposição. Duas mil pessoas compareceram às ruas da capital Argel. 30 mil soldados os esperavam. Relatos dão conta de que 350 pessoas foram presas na ocasião. Mais protestos estão programados para este final de semana, apesar do estado de emergência, em vigor desde 1992, que proíbe manifestações públicas no país. Na segunda cidade da Argélia, Orã, por exemplo, as autoridades deram permissão para manifestações, contanto que aconteçam em locais fechado.

    A dissolução da lei de emergência e a saída do presidente Abdelaziz Bouteflika são algumas das bandeiras dos manifestantes. Bouteflika, que está no poder desde 1999 e recentemente alterou a regra que limitava o número de vezes que pode concorrer à reeleição, anunciou que deverá revogar a lei de emergência em semanas. Nos anos 1990, uma guerra civil ceifou entre 150 e 200 mil vidas no país.

    Arábia Saudita – Parcos foram os eventos até agora no país que guarda em seu subsolo um quinto das reservas de petróleo do mundo e que é o alicerce maior dos EUA no Oriente Médio. E poucos acreditam que o pavio saudita possa ser acesso, mas diante de tanta instabilidade ninguém ficará surpreso caso isso aconteça.

    Neste sábado (19/02), membros da minoria xiitas do país teriam organizado uma manifestação pacífica e silenciosa em apoio aos seus pares de Bahrein, relata a agência Reuters.

    Bahrein – As manifestações começaram no dia 14 de fevereiro, três dias depois da queda de Cairo. Quatro pessoas morreram quando as forças do governo tentavam retirar manifestantes da praça Pérola, na quinta-feira (17/02), em Manama, a capital dessa ilha do golfo Pérsico que abriga a Quinta Frota da marinha dos EUA. No enterro dos mortos, mais violência resultou em pelo menos 50 feridos. O governo, que primeiro pediu que os manifestantes abandonassem as ruas, passou chamar o diálogo, rejeitado pelas forças de oposição sob o argumento de que não há conversa possível com o exército nas ruas.

    Com 1,2 milhões de habitantes apenas, essa ilha do golfo Pérsico espremida entre o Catar e a Arábia Saudita está longe de ser a mais desimportante das repúblicas em convulsão. Analistas alertam que Bahrein pode representar a porta de entrada da Arábia Saudita na crise. Já que as demandas da maioria xiita do país são semelhantes a dos xiitas árabes, minoria concentrada na região leste do país.

    Egito – Uma semana depois da queda de Hosni Mubarak – o mais espetacular dos eventos alcançados pelos manifestantes nessa onda de revolta árabe até o momento – milhares de pessoas voltaram à praça Tahrir para celebrar o feito. Mas a manifestação pode ser compreendida também como um sinal de alerta às forças armadas que tomaram o poder depois da saída de Mubarak. Depois de derrubar um regime de 30 anos, em 18 dias de protestos, os egípcios sabem que sua revolução ainda não terminou até que o poder provisório dê lugar a um com regras bem claras e estabelecidas.

    Iêmen – no sul da península arábica, esse país tem, segundo a revista britânica The Economist, o maior potencial para ruptura social entre todos os envolvidos na revolta até agora. Há 32 anos no poder, Ali Abdullah Saleh anunciou em início de fevereiro que não irá buscar um novo mandato em 2013, nem irá apontar seu filho como herdeiro político. O comprometimento veio depois de uma manifestação que levou 16 mil pessoas às ruas da capital, Sana, pedindo a queda do governo.

    No dia seguinte ao anúncio, 20 mil pessoas voltaram às ruas da capital e de outras cidades para reforçar o pedido de fim do regime. Depois da queda de Mubarak, no Egito, manifestações diárias vem acontecendo no Iêmen. A maior delas, na sexta-feira, 18, quando milhares de manifestantes antigoverno foram às ruas da capital. Reprimidos pelo exército e por ativistas pró-governo, que chegaram a atirar uma granada em um grupo de pessoas, a contagem de mortos entre os manifestantes já chega a 12.

  Irã – Embora aplauda o levante popular em outras partes do mundo islâmico, Teerã – que divide com a Líbia o posto de maior inimigo dos EUA na região – não quer que o mesmo aconteça em seu território. Por outro lado, a oposição pretende aproveitar a onda de rebeldia para recobrar forças e voltar a desafiar o governo de Mahmoud Ahmadinejad.

    Dois manifestantes foram mortos na segunda-feira, dia 14, na capital, em confrontos envolvendo grupos de oposição e forças do governo. Como resposta, a oposição está chamando para domingo, dia 20, uma manifestação contra o governo, que por sua vez colocou os líderes oposicionistas em prisão domiciliar.

    Jordânia – Outro país onde as manifestações começaram em janeiro, fomentadas por altas nos preços de comida e energia. Em 28 de janeiro, 3,5 mil ativistas tomaram as ruas da capital, Amã, exigindo a saída do primeiro-ministro e uma ação mais forte do governo em relação ao desemprego e a alta do custo de vida. O rei Abdullah II foi rápido ao intervir e a dissolução do governo foi anunciada em começo de fevereiro. As manifestações seguiram, agora com a oposição pedindo reformas políticas e democracia.

    O único confronto registrado até agora na Jordânia aconteceu na sexta-feira, 18 de fevereiro, quando um grupo de manifestantes favoráveis ao governo atacou os oposicionistas com paus e pedras, até a polícia intervir.

    Líbia – Excluindo-se o rei da Tailândia e a rainha da Inglaterra, ninguém está no poder há tanto tempo quanto Muammar al-Gaddafi. O homem que comanda a Líbia desde o fim dos anos 1960 viu a revolta oposicionista ser incensada pelos eventos do Egito e da Tunísia. Desde o dia 15 de fevereiro, terça-feira, as manifestações contra Gaddafi são diárias no país principalmente na cidade de Bengasi, a segunda maior do país. Segundo agências internacionais, mas de 80 pessoas já teriam morrido em confrontos entre manifestantes e forças do governo.

    Em Trípoli, porém, não há relatos de grandes protestos até o momento e e o único evento relacionado à crise foi uma resposta de seguidores do governo ao protestos convocados pela oposição. Há relatos de que o governo teria bloqueado o acesso à internet no país, ou pelo menos a sites como Facebook e Twitter, armas reconhecidas dos oposicionistas em outros países.

    Marrocos – Os protestos em massa no país ainda não ganharam as ruas, mas estão prestes a fazê-lo. A oposição está convocando uma manifestação neste domingo (20/02). Organizados via Internet os manifestantes afirmam não ser um movimento antimonarquia e que apenas querem “um governo que represente as pessoas e não a elite”, como descreveu para a Associated Press nessa semana um dos membros do grupo chamado 20 de Fevereiro.

  Tunísia – Quando Mohamed Bouazizi colocou fogo em si mesmo, no dia 17 de dezembro de 2010, como um ato de desespero depois de ter suas mercadorias confiscadas pelas autoridades policiais da Tunísia, ele não teria como imaginar o que se seguiria. O ato do jovem vendedor de rua serviu de gatilho para a Primavera Árabe. Menos de um mês depois, o presidente de mais de 24 anos no comando do país africano havia sido colocado para correr e os portões do inferno haviam sido abertos para todos os déspotas da região.

    Mais de 200 pessoas morreram no processo, que ainda não acabou. Apesar da mudança de governo, os manifestantes tunisianos seguem mobilizados para garantir que antigos membros do governo não voltem à cena e que a transição para a democracia ocorra de fato.

  (*) Correspondente da Carta Maior em Londres.


    http://cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17455    


sábado, 17 de maio de 2014

Nações Unidas?

Embora um dos seus propósitos seja manter a paz e a segurança no mundo, a ONU não conseguiu, ao longo de sua história, evitar diversos conflitos armados.
Em alguns casos, a ONU manteve-se afastada ou até mesmo ausente, pois sua presença poderia contrariar interesses políticos, econômicos e estratégicos de membros do Conselho Segurança, como, por exemplo, na guerra entre as Coreias do Sul e do Norte (1950-1953); na invasão dos Estados Unidos ao Vietnã (1961-1975); na invasão da extinta União Soviética ao Afeganistão (1976-1989); na Guerra das Malvinas, entre Argentina e Inglaterra (1982); nos ataques das forças militares russas à província da Chechênia (na década de 1990) na invasão do Iraque pelos Estados Unidos (2003) e nos constantes conflitos envolvendo palestinos e israelenses.
A ONU teve um papel secundário para solucionar guerras civis que assolaram países, sobretudo localizados no continente africano, como Somália, Moçambique, Angola, Argélia, Argélia e Sudão.
Em 2003, os Estados Unidos, então presidido por George W. Bush, invadiram o Iraque mesmo sem o consentimento do Conselho de Segurança da ONU. A superpotência alegou que esse país possuía armas de destruição em massa e que era necessária uma intervenção militar para evitar uma catástrofe. Missões da ONU foram inspecionar no Iraque, mas nada encontraram. Mesmo assim, os Estados Unidos enviaram ao Conselho de Segurança da ONU uma proposta de invasão, que não foi aprovada por todos os membros permanentes. França, Rússia e China vetaram a ação militar.
Opondo-se à decisão do Conselho de Segurança, em 2003, tropas lideradas pelos Estados Unidos invadiram o Iraque. A ONU assistiu à invasão de forma passiva, somente alertando os A Estados Unidos sobre o fato  de a atitude tomada pela potência mundial contrariar os estatutos da Organização e a Carta das Nações Unidas.
O Iraque ofereceu pequena resistência e foi derrotado em poucas semanas. O presidente do Iraque, Saddam Hussein, foi capturado, julgado e condenado à morte por um tribunal iraquiano constituído por juízes aliados dos Estados Unidos. Nenhuma arma de destruição em massa foi encontrada.
Sob alegação de ajudar na reconstrução do país e criar bases para um governo sólido e democrático, tropas estadunidenses permaneceram no Iraque até dezembro de 2011

PAULA, Marcelo Moraes; RAMA ANGELA. Jornadas Geo - Geografia, 9º ano- 2ª.ed. - São Paulo: Saraiva, 2012. 

Comentário sobre a invasão dos Estados Unidos ao Iraque.
Essa invasão foi gestada desde o governo Bush pai, os interesses foram vários, petróleo, reconstrução do país depois da guerra, etc.. A guerra não foi tão fácil, houve muita baixa do lado dos norte-americanos, além de muito cara e deixar o Estados como vilão diante do mundo, principalmente por ter passado por cima da ONU.
O contexto dessa guerra e os desdobramentos geopolíticos merecem um estudo à parte. A questão aqui discutida é a quem a ONU serve? 

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Conflito entre a Rússia e a Ucrânia

O limite do império
Bastante esclarecedora essa matéria e nos ajuda a entender as raízes desse conflito
Carta na escola.
Por César Albuquerque, bacharel em Relações Internacionais na USP e mestrando em História Social pela FFLCH-USP.
Disponível em:
http://www.cartanaescola.com.br/single/show/323/o-limite-do-imperio
Acesso em 28/04/2014

Será a ressuscitação da Guerra Fria?

Assim o Ocidente ressuscita a Guerra Fria.
Essa matéria  do blog do site Outras Palavras da Revista Carta Capital, mostra o jogo geopolítico entre Estados Unidos e Rússia.
Por Roberto Savio publicada em 28/04/2014
Disponível em:
http://www.cartacapital.com.br/blogs/outras-palavras/assim-o-ocidente-ressuscita-a-guerra-fria-1788.html
Acesso em 28/04/2014

Qual é o plano de Putin para Ucrânia?
Disponível em:
http://www.cartacapital.com.br/internacional/qual-e-o-plano-de-putin-para-a-ucrania-7194.html
Acesso em 28/04/2014


segunda-feira, 21 de abril de 2014

Biblioteca Digital de Cartografia Histórica da USP

A Biblioteca Digital de Cartografia Histórica da USP reúne a coleção de mapas impressos cedidos ao Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP), por determinação da Justiça Federal do Estado de São Paulo.

http://www.cartografiahistorica.usp.br/

Escala cartográfica não é tão difícil assim

Aulas sobre escala cartográfica.   https://www.youtube.com/watch?v=T24xayyof3M

A história dos mapas

A história dos mapas - Parte 1/2


Excelente
https://www.youtube.com/watch?v=Vanspwwxr_w

A história dos mapas - Parte 2



A história dos mapas - Parte 2
Acesso em 21/04/2014



Atlas escolar IBGE

Noções de cartografia disponível no site site do IBGE. Alunos explorem o máximo o site, dos conceitos gerais aos conceitos técnicos e os mapas.
Relação de links:
http://atlasescolar.ibge.gov.br/
http://brasil500anos.ibge.gov.br/
http://7a12.ibge.gov.br/


Continentes e oceanos

Muito prático e fácil esse jogo. Vamos jogar?
http://serbal.pntic.mec.es/ealg0027/mmundi2pt.html

Os países Europeus - Puzzle

Vamos jogar e aprender com mapas interativos?
http://serbal.pntic.mec.es/ealg0027/europa3pt.html

Os Estados do Brasil - Capitais dos Estados brasileiros - Puzzle

com esse jogo é muito fácil saber onde estão os Estados brasileiros.

Os Estados da União Europeia (Puzzle)

Muito interessante esse jogo de quebra-cabeça sobre os países da União Europeia, não esquecer que em 2013 mais um país tornou-se integrante da União Europeia, a Croácia.
Esse jogo é sugerido por: Rede Estadual de São Paulo - Marcelo Hideki Suwabe, em: http://escoladigital.org.br/
Este jogo encontra-se disponível em: http://serbal.pntic.mec.es/ealg0027/europ_union3pt.html

Estados da União Europeia

Jogo sugerido por:  Rede Estadual de São Paulo - Marcelo Hideki Suwabe em: http://escoladigital.org.br/

Este jogo encontra-se disponível em:
http://serbal.pntic.mec.es/ealg0027/europ_union2pt.html

Capitais da União Europeia

Jogo sugerido por: Rede Estadual de São Paulo - Marcelo Hideki Suwabe em: http://escoladigital.org.br/
Esse jogo encontra-se disponível em:
http://serbal.pntic.mec.es/ealg0027/europ_union2ptcap.html

domingo, 20 de abril de 2014

O putinismo e seus admiradores

O Estado de São Paulo

Visão Global - Internacional - A11- Domingo, 20 de abril de 2014

O putinismo e seus admiradores

Simpatizantes do presidente russo são mais numerosos do que se imagina - é bom Washington se lembrar disso.
*
Timothy Garton Ash

Diz qual é a tua Ucrânia e te direi quem és. A crise ucraniana é um teste de Rorschach político não apenas para pessoas, mas também para países. O que a situação revela não é nada animador para o ocidente: Vladimir Putin tem mais admiradores ao redor do mundo do que se imagina, para alguém que usa uma combinação neossoviética de violência e de grandes mentiras para desmembrar um Estado vizinho soberano.
Quando digo admiradores, não me refiro apenas aos governos da Venezuela e da Síria, dois dos seus partidários mais declarados. O homem forte da Rússia recebe apoio tácito de algumas das potências mundiais mais importantes, a começar por China e Índia.
Durante uma recente visita à China, as pessoas me perguntavam continuamente o que estava acontecendo na Ucrânia e eu respondia indagando sempre a respeito da atitude chinesa diante da situação. Será que o país que defende  de maneira tão persistente o respeito pela soberania e pela integridade territorial dos países, seja a ex-Iugoslávia ou o Iraque, e também se defronta internamente com algumas possíveis Crimeias (o Tibete ou Xinjiang), não se sente desconfortável pelo fato de a Rússia simplesmente se apoderar de parte de um país vizinho? Bem, respondiam, os aspectos positivos da crise ultrapassam os aspectos negativos.
Os Estados Unidos teriam outra distração estratégica (depois da Al-qaeda, do Afeganistão e do Iraque) nos obstáculos ao seu "pivô" para a região Ásia-Pacífico e para desviar sua atenção da China. Esnobada pelo ocidente, a Rússia se tornaria mais dependente de um bom relacionamento com Pequim. A Ucrânia, que já vende à China equipamentos militares de melhor qualidade do que a Rússia, até o momento, está disposta a compartilhar com seus grandes aliados asiáticos: ora as novas autoridades ucranianas já garantiram sem estardalhaços às autoridades chinesas que o fato de de Pequim não ter condenado a anexação da Crimeia não afetaria seu relacionamento futuro.
Por que não concordar com tudo isso? Além dessa ralpolitk, me disseram, há também um componente emocional. Os líderes chineses, como Xi Jinnping, que cresceu durante o governo de Mao, ainda se entusiasmava instintivamente pelo fato de outro líder não ocidental se opor ao Ocidente capitalista e imperialista.
Mas Putin não tem em mente a secessão imediata: apenas algo com uma grande Bósnia "finlandizada", um país neutro com uma versão de "federalismo" tão ampla que as regiões orientais se tornariam entidades no estilo da Bósnia, na esfera de influência russa.
Entretanto, essa crescente preocupação não chegou a esfriar a recepção calorosa ao chanceler russo, Serguei Lavrov em Pequim, na terça feira. O presidente Xi disse que as relações entre China e Rússia "são as melhore possíveis" e "exercem uma função insubstituível na preservação da paz e da estabilidade mundial".
EUA, só lhes resta chorar! E Pequim está ansioso por recepcionar o presidente Putin na importante reunião de cúpula que se realizará no mês que vem. E não só a China. Um amigo meu, que acaba de regressar da Índia, observa que, com a provável vitória de Narenda Modi e a ascensão do "capitalismo clientelista" da Índia, amigos indianos liberais temem que a maior democracia mundial venha a cultivar uma versão própria de putinismo.
Uma revista satírica indiana chegou a sugerir que Putin foi contratado como chefe "consultor estratégico chefe para a Índia com objetivo de pôr fim, de uma vez por todas, à questão da Caxemira". A propósito, a Índia compra grande parte de suas armas da Rússia. E não só a Índia. Os dois outros parceiros da Rússia no chamado grupo dos BRICS, Brasil e África do Sul, na resolução da Assembleia-Geral da ONU se abstiveram de criticar o referendo da Crimeia. Eles também acompanharam a Rússia expressando "preocupação" com a sugestão do chanceler australiano de que Putin poderia se impedido de participar da reunião de cúpula do G-20, em novembro.
O que o Ocidente enfrenta agora é o desaparecimento de duas gigantescas. Uma , que tem sido comentada exaustivamente, é a mola do descontentamento da mãe Rússia pelo fato de o seu império estar encolhendo nos últimos 25 anos. A outra mola do descontentamento com os séculos de dominação colonial ocidental, que assume formas diferentes nos diferentes países dos BRICS e membros do G-20.
Evidentemente , eles não têm o incansável discurso monolítico da China sobre a humilhação nacional, desde as Guerras do Ópio da Grã-Bretanha. Mas, de uma maneira ou de outra, compartilham de uma profunda preocupação com a própria soberania, a resistência ao fato de americanos e europeus insistirem em lhes dizer o que é melhor para eles e certa satisfação instintiva em ver o tio Sam (sem falar no pequeno John Bull) sendo humilhado por russo agressivo. Viva o putinismo! Obviamente, esse problema não é imediato na Ucrânia, mas é outra questão escancarada pela crise da Europa Oriental. Nesse sentido geopolítico mais amplo, não devemos esquecer de que, à medida que avançarmos no século 21, haverá outras Ucrânia. / Tradução de Anna Capovilla

*
É professor de estudos europeus na Universidade de Oxford

O Estado de São Paulo - Visão Global - Internacional A11
Domingo. 20 de abril de 2014.



segunda-feira, 7 de abril de 2014

A história dos Direitos Humanos

Documentário produzido por United for the Human Rights 
www. humanrights.com
Acesso em 07/04/2014

Mapas e Gráficos para compreender a crise da Ucrânia

Mapas, gráficos e dados são recursos necessários para entendermos a crise da Ucrânia.
http://www.esquerda.net/artigo/mapas-e-gr%C3%A1ficos-para-compreender-crise-da-ucr%C3%A2nia/31800

Mais mapas e gráficos que explicam a crise entre Rússia e Ucrânia
Raízes do conflito - divisão cultural e étnica, além da carência energética, explicam a instabilidade da Ucrânia.
http://www.estadao.com.br/especiais/raizes-do-conflito,224817.htm

A questão da Crimeia: uma disputa histórica

Entenda por que Ucrânia e Rússia brigam pelo controle da Crimeia.
Essa matéria da Folha de São Paulo é muito esclarecedora
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/03/1422015-entenda-porque-ucrania-e-russia-brigam-pelo-controle-da-crimeia.shtml

Cronologia: A crise na Ucrânia
http://blogs.estadao.com.br/radar-global/cronologia-os-protestos-na-ucrania/

Acesso em 12 de abril de 2014

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Imigração

Lampedusa
O Ocidente se valeu há trinta anos de sua prosperidade e de suas liberdades, como uma arma de ataque ideológico contra os sistemas que combatia
por Serge Halimi
Há trinta anos, fugir do sistema político opressor de seu país valia aos candidatos ao exílio os louvores dos países ricos e da imprensa. Estimava-se então que os refugiados tinham “escolhido a liberdade”, ou seja, o Ocidente. Um museu presta homenagem, desta forma, em Berlim à memória dos 136 fugitivos que morreram entre 1961 e 1989 ao tentar atravessar o muro que dividia a cidade em duas.
As centenas de milhares de sírios, somalianos, eritreus que atualmente “escolhem a liberdade” não são acolhidos com o mesmo fervor. Na ilha de Lampedusa, uma grua foi solicitada, no dia 12 de outubro, para carregar em um navio os restos de cerca de trezentos deles. O Muro de Berlim desses boat people foi o mar; a Sicília, seu cemitério. A nacionalidade italiana lhes foi concedida a título póstumo.
Sua morte parece ter inspirado certos dirigentes políticos. No dia 15 de outubro, Brice Hortefeux, ex-ministro do Interior francês, estimou que os náufragos de Lampedusa obrigavam “a uma primeira urgência: fazer que as políticas sociais de nossos países sejam menos atraentes”.1 E se voltou às prodigalidades que atraem os refugiados para as costas europeias: “A ajuda médica do Estado permite a pessoas vindas para o território sem respeitar nossas regras [serem tratadas gratuitamente], enquanto, para os franceses, pode haver até 50 euros de taxa”.
Depois disso, ele só poderia concluir: “A perspectiva de se beneficiar de uma política social atraente é um elemento motor. Não temos mais meios para isso”. Não sabemos se Hortefeux imagina também que foi por serem atraídos pelas ajudas sociais paquistanesas que 1,6 milhão afegãos encontraram refúgio nesse país. Ou que foi para tirar proveito da abundância de um reino cuja riqueza por habitante é sete vezes inferior à da França que mais de 540 mil refugiados sírios já obtiveram asilo na Jordânia.
O Ocidente se valeu há trinta anos de sua prosperidade e de suas liberdades, como uma arma de ataque ideológico contra os sistemas que combatia. Alguns de seus dirigentes utilizam agora a aflição dos migrantes para precipitar o desmantelamento de todos os sistemas de proteção social. Pouco importa aos manipuladores da infelicidade que a esmagadora maioria dos refugiados do planeta seja quase sempre acolhida por países quase tão miseráveis quanto eles.
Quando a União Europeia não intima esses Estados, já próximos do ponto de ruptura, a “dar um fim ao negócio indigno das embarcações de fortuna”,2 ela as direciona para que se tornem seu escudo, para protegê-la dos indesejáveis, perseguindo-os ou os aprisionando em campos.3 O mais sórdido é que isso tudo é temporário. Pois, um dia, o Velho Continente precisará novamente de jovens imigrantes para conter seu declínio demográfico. Então os discursos vão se inverter, os muros vão cair, os mares vão se abrir...

Serge Halimi é o diretor de redação de Le Monde Diplomatique (França).

Ilustração: Visca

1 RTL, 15 out. 2013.
2 Tweet de Cecilia Malmström, comissária europeia das Relações Internas, questionando a Líbia e a Tunísia, 11 out. 2013.
3 Ler Alain Morice e Claire Rodier, “Comment l’Union européenne enferme ses voisins” [Como a União Europeia prende seus vizinhos], Le Monde Diplomatique, jun. 2010.
01 de Novembro de 2013
Palavras chave: Imigração, ocidente, colonização, opressão, Berlim, Alemanha, Guerra Fria, Mundo Árabe,Lampedusa, náufrago, refugiados, ideologia, União Européia

http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1521 Acesso em 10/01/2014